quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Marketing eletrônico para atingir consumidores "Verdes"

Confira seis dicas do livro “Cliques conscientes: um guia de marketing eletrônico para pessoas, meio ambiente e lucro”, de Perry Goldschein

Tanto o marketing de produtos ecológicos como o marketing eletrônico têm se desenvolvido bastante nos últimos anos por um bom motivo. Ambos utilizaram megatendências não só com o objetivo de atingir resultados, mas também de apoiar uma causa por um bem maior. A popularidade desses dois tipos de marketing é evidente, não só no mundo dos negócios, mas também no meio acadêmico, político e entre as organizações sem fins lucrativos.

Alguns estudos recentes confirmam o que se tornou óbvio para muitos de nós que somos parte disso: o aumento do número de consumidores ecologicamente conscientes, também conhecidos como consumidores "verdes". Um mercado consideravelmente grande e crescente de produtos e serviços sustentáveis e socialmente responsáveis está se desenvolvendo. Esses estudos mostram que os consumidores estão cada vez mais integrando valores ambientais, sociais e até mesmo espirituais às escolhas de compra e investimento, além de buscarem empresas que apoiam esses valores.

Beneficiando-se dessas tendências, empresas pequenas, como a Orange Glo e Green Mountain Coffee Roasters, e também as grandes, como a Toyota e a Starbucks, estão utilizando com sucesso o marketing eletrônico para atingir consumidores "verdes" conscientes. Porém, a maioria das empresas, com ou sem fins lucrativos, que atende esses consumidores ainda não sabe como utilizar a Internet como um canal efetivo para atingir seu público-alvo.

Abaixo estão seis dicas que podem ajudar a atingir esses consumidores pela Internet ou por e-mail:

 

1. Utilize os mecanismos de busca pagos de forma eficaz

Ao colocar anúncios em ferramentas de busca como o Google Adwords, é possível alcançar milhares ou até mesmo milhões de pessoas que estão procurando exatamente o que você tem a oferecer; além disso, você paga apenas quando alguém realmente clica no seu anúncio! É quase como anunciar na TV ou no rádio e pagar apenas pelas vendas que o anúncio irá gerar – algo que nenhuma emissora oferece.

Além disso, pesquisas mostram que consumidores "verdes" gostam de usar mecanismos de busca tanto quanto outros consumidores, ou até mais. Inclua isso em seu plano de marketing e invista algum tempo para aprender como adotar essa estratégia de forma eficiente, pois a recompensa é garantida. Para os iniciantes: gaste pelo menos algumas horas fazendo um “brainstorming” e salve em uma planilha todas as palavras-chave que você e sua equipe acreditam que os clientes poderiam usar para encontrar seu produto, antes de se conectar à interface de anúncios, na qual poderá copiar e colar.

 

2. Concentre suas ações de marketing na Web

Pesquise e encontre os mecanismos mais acessados (Websites e newsletters) nos quais anunciar. Há muitos portais "verdes" na Internet, para clientes B2C e B2B, isto é, aqueles que oferecem recursos e serviços para consumidores "verdes" e para empresas "verdes", respectivamente. Muitos deles oferecem propaganda no Website ou em newsletters que geralmente atingem milhares (ou até milhões) de pessoas por uma fração do custo praticado por mídias off-line. O Care2 é um exemplo de portal B2C; o GreenBiz, um exemplo de B2B.

 

3. Organize e utilize uma boa lista de e-mails, mas não abuse

Mesmo com o spam, as estatísticas indicam que o e-mail ainda é bastante eficiente no processo de criação de relacionamentos, organização de eventos e até mesmo vendas, quando utilizado de forma correta. Felizmente, consumidores "verdes" gostam de manter um bom relacionamento com as pessoas das quais compram produtos.

Assim, invista recursos na construção de sua própria lista de e-mail, mesmo que você utilize outras. No entanto, só envie e-mails se o cliente permitir. Em outras palavras, nunca envie e-mails comerciais pesados (geralmente em troca de alguma informação ou algo de valor) para alguém que não os tenha solicitado ou não tenha concordado em recebê-los. Tente criar sua própria newsletter ou blog, procurando oferecer o melhor conteúdo possível, que agregue valor ao seu público-alvo, utilizando o mínimo de autopropaganda. Só então promova a newsletter com a mesma ênfase que você usaria para promover um produto ou serviço.

 

4. Produza sua landing page com um cuidado especial

Seja quais forem as táticas de marketing que você utilize, certifique-se de que a página exibida aos visitantes no seu Website – sua landing page (página de aterrissagem) – foi elaborada pensando nos clientes (e no produto). Seu produto deve ser fácil de ler e compreender; incentive a confiança no Website a partir de um link para a política de privacidade e com informações de contato na parte inferior da página; remova links de menu para diminuir elementos que distraiam a atenção; diga a seu cliente quem você é e por que sua empresa, produto ou serviço é benéfico para o meio ambiente, para a saúde ou para a sociedade.

 

5. Acompanhe seus esforços

Agora é mais fácil do que nunca controlar suas atividades. Os principais programas de divulgação em mecanismos de busca (Google, Overture) oferecem ferramentas de rastreamento gratuitas. Além disso, essas ferramentas também estão disponíveis em outros locais a custos baixos ou grátis. Confira o ConversionRuler, por exemplo, em caráter experimental. Ao acompanhar suas atividades de marketing, você sempre vai saber exatamente o que está funcionando, o que não deve mais ser utilizado ou o que deve continuar. Em longo prazo, isso irá representar uma economia muito grande.

 

6. Use os relacionamentos on-line de forma eficaz

Você vai descobrir que muitos dos Websites de divulgação nos quais vai querer anunciar seu produto (dica 2) são empresas com as quais vale a pena desenvolver um relacionamento, também por questões de eficiência. Descubra com quem você deve entrar em contato nesses Websites para tratar de um evento relacionado à sua empresa, produto ou serviço que mereça ser publicado.

Faça uma lista desses contatos e envie a eles press-releases bem escritos (apenas quando algum evento digno de divulgação ocorrer de fato, isto é, um evento que lhe traga vantagens de alguma forma). Não se esqueça de, após o envio do release, ligar para esses contatos e oferecer assistência – um artigo, uma entrevista – ou algo que facilite o trabalho deles. Você também pode experimentar serviços de distribuição para o press release com foco em consumidores e empresas "verdes", como eWire ou CSRwire.

 

Para determinar o que é melhor para sua empresa na utilização da Internet e do marketing eletrônico, é importante desenvolver um projeto por escrito. Ele não precisa ser muito longo, mas deve incluir ao menos os passos necessários para a aplicação bem sucedida de sua estratégia. Uma das maiores vantagens do marketing eletrônico é a possibilidade de testar abordagens e obter melhorias rapidamente, quase sempre em tempo real. Assim, considerando as táticas mencionadas, inclua em seu projeto mais ferramentas do que pretende utilizar a longo prazo. À medida que testá-las, você poderá eliminar aquelas que não atendem às suas necessidades e continuar com as mais eficazes.

Se você experimentar essas ferramentas e outras mencionadas aqui em seu plano de marketing, fazendo uso das práticas mais produtivas, é provável que encontre no mínimo uma ou duas que forneçam um retorno excelente e que ajudem na superação dos maiores desafios de sua empresa.

Trecho do livro "Conscious Clicks: A Guide to eMarketing for People, Planet & Profit" (“Cliques conscientes: um guia de marketing eletrônico para pessoas, meio ambiente e lucro”, não lançado no Brasil), de Perry Goldschein.

Perry Goldschein (Bacharel em Direito, é diretor da SRB Marketing, Inc., empresa de consultoria em marketing eletrônico. Seu trabalho foi aclamado no Utne.com, no Publishers Weekly, e por Sherry Ruth Anderson (co-autor de “The Cultural Creatives”), entre outros.)

Fonte: Agenda Sustentável (www.agendasustentavel.com.br)
13/10/2010

 

ExpoManagement 2010: Empreender com responsabilidade

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No núcleo temático de “Sustentabilidade” da ExpoManagement 2010, John Elkington contará como líderes de negócios podem aprender avaliando os impactos financeiros, sociais e ambientais de suas atividades. Confira!

Conhecido pela expressão “triple-bottom-line” (linha tripla de resultados), em que as empresas trazem para si não apenas a responsabilidade do impacto financeiro de suas atividades, como também o social e ambiental, o britânico John Elkington apresentará durante sua palestra na ExpoManagement 2010, em novembro, em São Paulo, diversos conceitos que visam, a responsabilidade sócio-ambiental corporativa.

O conceito triple-bottom-line, também apresentado como “pessoas, planeta e lucros” vem ganhando terreno, à medida que as empresas se voltam mais intensamente aos valores sociais, a partir da combinação entre descontinuidades de mercado e ações inteligentes dos governos. Entretanto, Elkington afirma que muitos movimentos corporativos ainda são somente reações à demanda dos clientes, mas destaca as influências do pensamento da nova geração de líderes, o que significa que seus esforços estão valendo a pena.

Para ele, as mudanças de comportamento em grandes empresas podem provocar uma reação em toda a cadeia, contrapondo o poder do capitalismo. “Se o Wal-Mart impuser um decreto sobre sustentabilidade, seus fornecedores terão de reagir muito rapidamente”, exemplifica Elkington em entrevista à Fast Company.

Esta mudança corporativa, inclusive, foi tema de uma de suas obras. Com o título provocador de Canibais com Garfo e Faca (ed. Makron Books), o livro escrito em 1999 acusa o capitalismo e o canibalismo corporativo de predadores mundiais, mas já identifica sinais de mudança. Um dos exemplos que oferece é o de Bill Gates: de “Pacman corporativo” a investidor social. (Para quem não se recorda, Pacman é o ser engolidor de pastilhas que surgiu com um famoso videogame da década de 1980 e ressurgiu online).

Atuando há mais de 30 anos neste mercado, no ano passado, Elkington lançou em parceria com Pamela Hartigan, o livro Empreendedores sociais: o exemplo incomum das pessoas que estão transformando o mundo (ed. Campus). Nesta obra, os autores mostram a semelhança entre os empreendedores sociais e os empreendedores que têm fins lucrativos e como isso vêm contribuindo para o aperfeiçoamento da gestão e agregando valor aos negócios.

Segundo ele, os empreendedores sociais perseguem objetivos que os mercados fracassaram em atingir e o fazem de modo único em termos de liderança e capacidade de levantamento de capital, por exemplo. Muitos dão início à sua escalada empreendedora a partir de tragédias, mas todos parecem ser guiados pela busca de soluções a problemas que ameacem populações ou tesouros ecológicos.

Assim, são criados novos mercados e novos níveis de influência, já que um dos objetivos principais dos empreendimentos sociais é alavancar todos os tipos de recursos; das habilidades dos índios e do apoio governamental às parcerias com o setor privado, o que acaba por superar organizações não-governamentais tradicionais e grandes empresas consolidadas.

Sobre John Elkington

Com mais de 17 livros publicados e mais de 1 milhão de cópias vendidas em todo o mundo, o psicólogo social e sociólogo, John Elkington, ressalta que sua motivação pela causa social não é apenas ambiental, mas social e política também, já que a convivência com diferentes povos em situações conflituosas o despertou para um verdadeiro fascínio por pessoas e culturas. O escritor esteve presente entre católicos e protestantes, na Irlanda do Norte, sua terra natal; entre gregos e turcos, em Chipre, e entre árabes e judeus, em Israel.

Quando fundou sua empresa, a SustainAbility, em 1987, a questão da deterioração da camada de ozônio estava emergindo, ao lado de controvérsias que levaram as preocupações com o planeta às pautas dos noticiários e à mente dos consumidores. Foi então que a SustainAbility ajudou as pessoas a fazer suas escolhas, por meio de guias de compras ecologicamente corretas.

Essa mãozinha que deu ao mercado era antecipada como um suicídio comercial, pois Elkington e seu pessoal descortinavam o que havia por trás da operação de grandes empresas, em termos ambientais. “Pensei que estivéssemos transformando a nós mesmos em párias no campo da consultoria”, revela. No entanto, empresas como a Unilever e a Procter & Gamble bateram à sua porta. Exigindo exclusividade, é claro.

Tema da ExpoManagement 2010

A programação do núcleo temático de Sustentabilidade da ExpoManagement 2010, tem o objetivo de oferecer aos participantes um conteúdo aprofundado sobre o tema, durante os três dias de evento, que acontecerá entre os dias 08 e 10 de novembro. Conheça o tema da palestra exclusiva de John Elkington:

Como a agenda da sustentabilidade está transformando a teoria e prática da gestão 2010: um momento decisivo para o capitalismo do século 21

•    Brasil: a emergência de uma potência econômica e as extraordinárias novas responsabilidades que acompanham essa função;
•    Transparência: uma mudança radical no que a sociedade espera das empresas;
•    Valor ambiental, valor econômico e valor social: como a teoria e a prática do Triple Bottom Line evoluíram de 1994 a 2010 e qual foi o seu impacto na cúpula das empresas e na agenda dos executivos;
•    Novos cenários de oportunidades e o “poder desmensurado” de uma nova geração de inovadores, empreendedores e investidores;
•    Como atingir economias de escala com inovações sustentáveis: dos primeiros experimentos até a transformação sistêmica – e o papel crucial dos governos;
•    Conclusões e recomendações: planos de ação para os setores público e privado – e para a sociedade civil.

HSM Online
13/10/2010

 

O networking social conseguirá barrar os greenwashers?

Já ouviu falar nos “falsos ecológicos corporativos”? Fique atento para não confundir ações de sustentabilidade honestas de bobagens de marketing

Os ambientalistas alertam que os greenwashers ou ‘falsos ecológicos corporativos’ irão levar os consumidores saturados a abandonarem os esforços para comprar de modo responsável. No entanto, as pessoas podem lutar contra essa confusão e policiar o mercado utilizando ferramentas on-line, de acordo com o que disse Joel Makower, editor-executivo da GreenBiz.com. “Na era da Internet, da blogosfera e da mídia social, acho que os falsos ecologistas não vão conseguir ir muito longe ou que as empresas fraudulentas e que enganam os consumidores irão ganhar força".

Um Índice de Falsos Ecologistas do estilo da Wikipédia, administrado por uma empresa de marketing ambiental, convida a todos para fazer o upload de anúncios suspeitos. Grupos ecológicos já surgiram no MySpace e no Facebook. E um fluxo contínuo de novos blogs ecológicos continua a se unir ao grupo. O Flock, conhecido como o “navegador da web 2.0”, lançará uma edição do Dia da Terra, que virá carregado com feeds de mídias ecológicas.

O mais notável, talvez, seja o surgimento de dezenas de sites “ecológicos”, vários deles de veteranos da indústria da tecnologia, cujo objetivo é colocar pessoas de gostos semelhantes no mesmo lugar. Essas ações de networking social permitem que os usuários avaliem os produtos pessoalmente, oferecendo uma balança para pesar selos ecológicos e campanhas de publicidade.

“Quanto mais você entra no negócio da ecologia, mais se dá conta de que não há produtos mágicos que resolvem todos os problemas”, disse Makower, que vê a mídia social como um auxílio para preencher a lacuna deixada pela falta de padrões para negócios ecológicos. “É possível ter um produto ecológico de uma empresa que esteja longe de ser perfeita e, se sim, o quão longe ela pode estar?”

Um dos sites mais populares que convidam usuários a responderem a essa pergunta é o Sustainlane, que já coletou mais de 20 mil listas de produtos e serviços geradas por usuários desde 2004. “Tantas pessoas diferentes possuem valores diferentes", disse Christine Volden, porta-voz da Sustainlane. “Alguém pode estar procurando o produto mais barato e outra pessoa pode dizer, ‘meu problema não é o preço, quero o produto que seja melhor e mais seguro’. É possível encontrar uma pessoa que seja mais parecida com você".

O Alonovo, um site de classificação, permite que os usuários considerem as classificações de acordo com seus valores pessoais. Alguém poderia, por exemplo, customizar uma pontuação para refletir a preocupação com o tratamento humano de animais, em vez da utilização de produtos químicos tóxicos.

O cenário do networking ecológico e dos sites de notícias, independentes ou não, com certeza irá sofrer alterações à medida que alguns deixarem de existir e empresas maiores comprarem outros. No entanto, as ferramentas móveis que podem ajudar a fornecer as informações necessárias para que se tome uma decisão em uma loja estão apenas no começo. Semelhantes aos alertas de desastre natural enviados por celular, o Twitter ou o Facebook e várias novas ferramentas estão utilizando as mensagens de texto para informar os compradores.

O sistema de mensagens de texto da Amazon, o TextBuyIt, lançado na última semana, permite que as pessoas comparem as compras enquanto se movimentam pelos corredores da loja. O grupo de defesa do consumidor Healthy Toys oferece um serviço em que os compradores podem enviar o nome de um brinquedo por SMS e receber uma resposta descrevendo a possível presença de ingredientes tóxicos em níveis baixos, médios ou altos.

O serviço FishPhone, da entidade não lucrativa Blue Ocean, lançou no outono um serviço e página de Internet móvel que permitem que os usuários enviem o nome de um peixe por SMS e recebam uma resposta sobre as prováveis práticas de pesca e compostos químicos tóxicos potenciais da espécie. Em setembro, o Monterey Bay Aquarium lançou uma versão compatível com PDAs de seu guia de bolso de frutos do mar coletados de forma sustentável. Mas onde encontrar uma lista integrada de uma ampla série de produtos que possa ser usada em dispositivos móveis?

“Tem sido muito difícil desenvolver aplicativos para portáteis sem acarretar custos de criação dos quatro principais tipos de portas", disse Dara O'Rourke, professora-adjunta de ciências ambientais e política da UCB (Universidade da Califórnia em Berkeley). “Eles não simplificaram, motivo pelo qual a maioria das pessoas se concentra nos SMS”.

O’Rourke e outros pesquisadores do Laboratório de Informações ao Consumidor da Berkeley vêm fazendo experiências com o protótipo de um serviço móvel que permitiria que os compradores ficassem preocupados com um código de barras e depois mostraria um menu de detalhes do produto.

No entanto, as dificuldades técnicas e o desafio de reunir dados de infinitas fontes prejudicam o desempenho de ferramentas móveis sofisticadas, afirmou O’Rourke. “Há uma grande lacuna de informações que está se tornando cada vez mais importante para os consumidores. No dia em que o iPhone foi lançado, sabíamos tudo sobre seus recursos. No entanto, provavelmente 99% das pessoas não tinha ideia de onde ele havia sido fabricado, quais os impactos ambientais que ele ou sua bateria trariam ou quais tinham sido os impactos sobre os trabalhadores”.

E o conteúdo gerado por usuários pode retratar o valor e a sustentabilidade de um produto, mas esse conteúdo não pode existir em uma lacuna, ele acrescentou. “Há um papel muito importante para os dados básicos, não apenas as opiniões das pessoas, mas também informações fundamentadas na ciência e na avaliação da cadeia de suprimento".

Fonte: Agenda Sustentável (www.agendasustentavel.com.br)
13/10/2010

 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

HSM Entrevista Christian Barbosa: especialista em produtividade 1/4

Qual é o seu ativo mais valioso?

Especialista fala sobre os prejuízos com a perda ou uso indevido de dados corporativos

Sem dúvida, a resposta a essa indagação seria: informação. Listas de clientes, informações de produtos, dados de mercado, preço, custo, promoções ou descontos, dados pessoais de clientes, funcionários ou parceiros, emails, contratos, prontuários médicos e a lista poderia seguir indefinidamente. Mas, e se essas informações, por algum motivo, não estiverem mais sob controle de sua empresa?

Estudos publicados por diversas organizações e institutos de pesquisa mostram que a perda de dados é mais comum do que parece: centenas de milhões de registros são comprometidos a cada ano, no mundo inteiro. Milhares de incidentes acontecem diariamente, no entanto apenas alguns se tornam públicos, como o recente episódio que expôs os dados de 12 milhões de estudantes do Enem.

O mais completo estudo desse tipo de incidente foi conduzido pela Digital Forensics Association (DFA) e computou mais de 2.800 incidentes ao longo de cinco anos, envolvendo o vazamento ou roubo de mais de 720 milhões de registros em 28 países. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, o episódio recente do Enem representaria menos de 2% dessa fatia.

De acordo com a mesma pesquisa, 49% de todos os casos estudados foram ocasionados pela perda de computadores portáteis e em 95% desses casos o notebook foi roubado. A contar pelo número de registros, o vetor que mais influenciou foi o dos “hacks”, compostos por acesso e uso indevido, roubo de credenciais, malware, SQL Injection, com 327 milhões de registros afetados. O segundo maior vetor de perda de dados, porém, foi a categoria Drive/Mídia (discos e pen drives) com quase 150 milhões de registros violados. Observa-se que essa categoria vem ampliando seu grau de vulnerabilidade em decorrência da onipresença dos dispositivos USB, apesar de ser tão facilmente mitigado com a utilização da criptografia.


Os vazamentos não detectados podem ser particularmente perigosos. Não se pode remediar uma situação desconhecida e, talvez, quando o episódio se torne conhecido seja tarde demais. Por isso, políticas de segurança e controles devem ser cada vez mais reforçados. Outro dado preocupante é que, no Brasil, ainda não há legislação que torne obrigatória a divulgação pública por empresas que sofram esse tipo de violação, e que as mesmas notifiquem as partes afetadas,  como determina a legislação em 46 dos 50 estados norte americanos. Porém, mesmo nos Estados Unidos, não existe um órgão que centralize essa regulamentação e as leis variam muito de estado para estado.

Nesse contexto, o vazamento ou a violação de dados corporativos é uma grave ameaça ao maior patrimônio das empresas, podendo causar danos irreparáveis. E tudo isso pode custar caro. Segundo estudo do Instituto Ponemon, nos Estados Unidos, o custo médio das empresas pesquisadas com a perda ou roubo de informações foi de US$ 6,75 milhões, gerando uma perda de receita/negócios associada de US$ 4,5 milhões. O maior prejuízo identificado custou US$ 31 milhões para ser remediado. E seus dados? Estão protegidos?

Rodrigo Moura Fernandes (Country manager da AlertBoot no Brasil. Especialista em segurança da informação. Possui 15 anos de experiência nesta área, atuando em diversas funções executivas em grandes empresas nas áreas de tecnologia da informação e gestão de risco)

HSM Online
22/09/2010

 

Nova inteligência pedagógica empresarial

Luiz Tejon fala sobre a nova inteligência pedagógica, que nasce no fazer, sentir e por fim pensar. Confira!

Quando Ford revolucionou o processo industrial criando a linha de montagem, serviu-se brilhantemente do modelo pedagógico da sua época: segmentar o conhecimento; ensinar a repetir do mesmo e buscar uma alta produtividade na mesma coisa, onde apenas o alto dirigente possuía a visão do todo. O mundo era muito mais lento e a síntese da estratégia era inventar algo e praticar a repetição do mesmo modelo.

A educação era para poucos. Mas o mundo já começava a mudar numa velocidade muito superior aos tempos das carroças. Deming, o americano que criou outra inteligência pedagógica empresarial, revolucionava o Japão, com o conceito da Qualidade Total. Vi o Kanban ser introduzido na Jacto S/A pelo seu fundador Shunji Nishimura, em 1979.

Por trás das discussões dos cinco por quês, vinha uma poderosa inteligência pedagógica empresarial. Um novo sistema que integrava do pedido do cliente à ordem de entrega dos fornecedores. Na fábrica da NSK, por exemplo, podemos assistir a um verdadeiro “show” dessa pedagogia. Se uma operação falha, a fábrica inteira para.

Saímos do compartimento, do olhar de uma particular área ou máquina, para a gestão total. De Ford, passando por Deming, e com as novas visões da “cadeia produtiva”, num acelerado mundo fracionado, estamos hoje sem uma nova inteligência pedagógica empresarial clara e consciente nos modelos de negócios para o século XXI.

Tratamos de gestão por competências, as áreas de RH realizam esforços consideráveis sobre o clima, formação, plano de carreira, identificação de talentos e de lideranças. Mas de fato o que ocorre é a distância considerável entre a convicção da importância de uma nova inteligência pedagógica por parte da alta direção e o que deveria ser um dos principais conhecimentos para a moderna administração de negócios.

Na escola não conseguimos ensinar à moda antiga. Precisamos agora muito mais do talento humano para aprender a aprender rapidamente num planeta globalizado,  onde cerca de 97% das empresas vencedoras são aquelas que copiam e adaptam com inovações, o que outras conseguem inventar mas que são lentas para usufruir.

A pedagogia antiga tratava do pensar - fazer para depois sentir (se é que alguém chegava um dia a sentir). A nova inteligência pedagógica empresarial nasce no fazer – sentir e por fim pensar. Isto quer dizer: contatos totais e instantâneos com as distintas e múltiplas realidades. O  fazer, sentir e pensar vão ficando cada vez mais integrados num movimento atômico. Esta nova dinâmica exige a formação de seres humanos apaixonados pela mudança e com capacidade criadora. A nova inteligência pedagógica empresarial representa a arte do “aprender a aprender”. O futuro não é mais criado pelo presente. O futuro é criado pelo que vamos aprender no futuro. Isso quer dizer: o presente já é o futuro.

José Luiz Tejon (Mestre em arte e cultura pela Universidade Mackenzie Doutorando em Ciências da Educação. Professor da ESPM e FGV Consultor, escritor e ex- Diretor do Grupo O Estado de São Paulo. Presidente da TCA Internacional.

HSM Online
22/09/2010